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Falar ou não falar

São Paulo é uma cidade enorme, capaz de tudo, seja para um lado, seja para o outro. Da mesma forma que as maiores barbaridades acontecem diariamente, acontecem também atos que engrandecem o ser humano e que passam desapercebidos do grande público, em função de não virarem notícia.

É verdade. A cidade é suja, mal cuidada, com quebradas violentas, assaltos, assassinatos e acidentes de trânsito para ninguém colocar defeito.

De outro lado, na própria origem do mal, tem como contrapartida ações maravilhosas, praticadas por profissionais e amadores, todos de um jeito ou de outro, comprometidos com o bem comum.

Só quem já viu o atendimento dos funcionários da Santa Casa de São Paulo ou do Hospital das Clínicas entende o significado da expressão solidariedade humana.

Quem sabe das ações da polícia e dos bombeiros, a começar pelos partos realizados dentro de suas viaturas, entende o que quer dizer abnegação.

Quem anda pelas ruas dos bairros e vê o comprometimento da sociedade com seu espaço, percebe que além da vida dura, existe todo um viés de compaixão que no meio do caos e da sujeira faz o possível achar o belo.

São Paulo tem o lado feio, escuro, cinza e triste de toda cidade grande. Solidão, medo, má vontade, falta de paciência, maldade gratuita. É tudo verdade.

Mas tem também o lado claro. O lado da luz e do bem. A mão estendida, os olhos nos olhos e muito calor no coração.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

 

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.