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A revolução desconhecida

 

O que foi a Revolução de 1932? Existem história, desculpas, muito achismo, desconhecimento, patriotada para ficar bem na foto, interpretações as mais diversas, desde um hipotético e nunca majoritário separatismo até uma mais hipotética Constituição, pela qual, como dizia o Poeta Paulo Bomfim, ninguém nunca saiu de casa para morrer.

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Num país com mais de 85% de analfabetos, morrer por uma Constituição é a mesma coisa que morrer por Santo Ivo de Trás-os-Montes. Ninguém nunca morreu porque ele nunca existiu. Imaginar que o povo sabia o que é uma constituição é acreditar no grito de guerra do MMDC, que, precisando um mote moral para a luta que se iniciava, encontrou na Constituição a bandeira que necessitava. “Pela Constituição”, “Desta Casa Partiu um Soldado da Lei”.

O que os paulistas queriam era continuar sendo paulistas, poder fazer a vida trabalhando duro para dar para a família uma vida melhor, mais farta, com segurança, saúde e educação.

A Revolução de 1930 prometia isso, mas, vitoriosa, entregou a ditadura Vargas e o aborto do sonho de democracia e igualdade.

Logo após sua consolidação, o ditador tratou São Paulo como terra vencida e entregou o estado para Miguel Costa e seus asseclas, que tentaram impor uma realidade completamente diferente na vida bandeirante.

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Os líderes paulistas começaram a conspirar com Rio Grande do Sul e Minas Gerais para depor Getúlio Vargas. Mas o ditador se adiantou e se compôs com os dois estados, deixando São Paulo só. Em seguida, retirou do estado o armamento moderno.

Em 9 de julho, São Paulo estava despreparado para a guerra, mas o povo, revoltado com as ameaças, tomou as ruas e a revolução eclodiu. O que estava em jogo era o modo de vida paulista. Por ele valia a pena lutar.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.