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Que me importa?

Que me importa se as ruas da região da Berrini não andam. Que se parecem com sucursais do inferno, destinadas a causar o máximo de dano com o mínimo de esforço?

Que me importa se a estátua da mulher nua nunca mais foi encontrada e já tem gente que duvida que ela tenha fugido com o Ricardão?

Que me importa se menos de 10% dos crimes são apurados e menos gente ainda vai presa, mesmo os réus confessos de crimes apavorantes?

Que me importa se o dia amanhece feio ou se a chuva e a sujeira são responsáveis pela inundação de partes vitais da cidade?

Que me importa o feio e o cinza dos imóveis abandonados, como imensas telas a disposição dos pichadores?

Que me importa o outro lado da vida, se o meu lado é o lado em que você está e quando você passa o mundo se transforma?

Ah, pensar em você. Fechar os olhos e te ver. Imaginar como você está a cada momento do dia.

De manhã cedo, com preguiça de acordar. Mais tarde, saindo apressada porque está atrasada. E na hora do almoço, preocupada com o que a cozinheira colocará na mesa.

Pensar em você é iluminar as tardes frias e cinzas de certos dias de outono.

É redescobrir a cor do capim gordura florido, nos outonos da minha infância. É saber que as cores das paineiras têm o condão de modificar o humor dos pássaros.

É ter certeza de que a sua simples lembrança faz mais alegre o dia.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.