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As pombas enganam

Tem gente que acredita que as pombas são o símbolo da paz. Provavelmente a ideia vem da Bíblia e do ramo de oliveira que a pomba que Noé soltou trouxe de volta para a arca, informando em nome de Deus que o Dilúvio tinha acabado.

O problema é que as pombas são um engodo, da mesma forma que os camundongos. De verdade elas podem ser comparadas a eles, na sujeira, na capacidade de transmitir doenças, na imundice e na sina de destruição que ao longo dos séculos mata o gênero humano, com a sem cerimônia dos deuses destruindo os Titãs, no começo dos tempos.

As pombas são bonitinhas, mas ordinárias. Tão ordinárias que várias partes do mundo já decidiram espantá-las por bem ou por mal de seus pontos turísticos mais famosos.

Da mesma forma que os ratos, são animais imundos, infestados de piolhos, que transmitem doenças terríveis e muitas vezes letais para o homem.

Mas elas têm marketing. Ah, como elas têm marketing! São vendidas para todos como a quintessência do planeta, como a companheira fiel, como a maior das maravilhas, como voar sobre o mundo pelas asas da Pannair.

As pombas gozam de mais status que as capivaras e olha que isso não é pouco. As capivaras são outra praga que também mata, transmitindo doenças que passam nos carrapatos, mas saem bonitas nas fotos, sempre gordinhas e fofas, como as pombas.

Mas as pombas estão na berlinda a mais tempo. Ninguém nunca viu Picasso retratando uma capivara, mas quem não conhece a pomba que ele desenhou. Pois é, neste mundo o que vale é a boa propaganda.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

 

 

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.