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Bom dia

Existem armas e armas. Trinta e oitos, trezentos e oitenta, nove milímetros, facas e peixeiras de todos os tamanhos, picaretas e até furadores de gelo, como o que foi usado para matar Trotski.

O arsenal humano é ilimitado. De pedra de estilingue a tiro com bala de urânio, vale tudo na longa história de mortes e medos que caminha par e passo com a evolução de nossa espécie.

Tanto faz a forma, o importante, até mais do que matar é causar medo, apavorar o outro para que ele não pense em nos atacar, quando quem está apavorado somos nós, perdidos neste vale de lágrimas, onde milhares de pessoas morrem assassinadas, todos os anos.

Entre milhares de armas de todas as origens e formas que existem ou são criadas com a única finalidade de causar medo poucas são tão eficientes quanto a palavra.

E sabendo a palavra certa e o momento de pronunciá-la, a capacidade de apavorar cresce geometricamente, fazendo até gente armada sair correndo, com medo das consequências.

Entre as mais diversas expressões, desde palavrões pesados, ditos com ódio, até ameaças do gênero “sabe com quem está falando”, existe um universo de termos, frase e palavras a disposição do ser humano.

E dentro delas, poucas causam tanto medo quanto um simples bom dia. O velho e bom “bom dia” de todas as manhãs, dito faça chuva ou sol.

Experimente. Caminhando pela rua, ou num parque, diga bom dia para as pessoas com quem você cruzar. A reação vai ser nove entre dez vezes, o silêncio. O silêncio absoluto e a cara de assustado, fruto do pânico e do espanto, mas, acima do tudo, do medo.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.