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Batida de carro

Não há nada mais estúpido do que uma batida de carro. Exceto a cara dos envolvidos nas batidas pequenas. Evidentemente que isso vale quando o envolvido não somos nós. Se estivermos no rolo, a graça da nossa cara só terá graça para quem está de fora, vendo os envolvidos na batida descerem dos respectivos carros, cada um reagindo de um jeito, mas desolados com a situação.

Tem o que desce bravo, o que desce conformado, o que quer fingir que é civilizado, o que mata, o que briga, o que grita, a que quer chamar o marido, o importante, o que pergunta de cara se você tem seguro e por aí vai, com reações inusitadas e inesperadas pipocando logo depois do para-choque amassado ou do paralama arrebentado.

Tem os bem educados que assim que batem encostam os respectivos veículos, para tentar não atrapalhar o trânsito, normalmente infernal e grande responsável por boa parte das batidas que acontecem sem que nenhum tenha muita culpa, ao mesmo tempo que todos são relativamente culpados.

As discussões envolvem sempre a culpa que costuma ser do outro, até quando fazemos as maiores barbaridades e sem elas o acidente não aconteceria.

É uma necessidade quase que atávica de se eximir da culpa, por isso quando alguém diz de cara: “a culpa foi minha, aqui está meu telefone e os outros dados para você consertar seu carro e eu ou meu seguro pagar a conta”, desmonta o outro, que fica completamente sem reação, até quando desce para matar ou acabar apanhando, como volta e meia acontece.

Por isso, se bater, vá com calma, é o melhor para sua saúde.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.