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Com pisca alerta ligado pode

O Brasil é o país do jeitinho, da arrumação do errado, ainda que continuando tudo errado, mas de outra forma. Aqui o que vale é a palavra, a capacidade de convencer o outro que você está errado – que você sabe que está errado – mas que há uma razão para o erro e que ela é sempre mais importante do que se você estivesse certo.

A lição serve para todas as situações, sejam públicas ou privadas, envolva quem envolver, seja, de novo, público ou privado. A regra é tão sólida que a autoridade de plantão costuma ser a primeira a dar um jeitinho, seja jantando no restaurante da moda por conta de uma segurança extra para os clientes, seja na carteira de motorista, seja na hora ou no assunto que for. Com jeito tudo se arranja, com exceção das exceções, que são poucas e sem relevância maior para o futuro da nação.

A melhor prova disso é o uso absolutamente comum do pisca alerta para fazer qualquer coisa com um veículo, em qualquer rua ou avenida, seja na hora que for, e feito por quem for.

É proibido parar? Não pode ficar em fila dupla? Descarregar agora atrapalha a cidade? Tem algum outro motivo que você lembrou e eu esqueci? Tudo bem, não tem problema, todas essas situações são resolvidas com um simples apertar de botão.

Para o brasileiro, o pisca alerta tem duas funções básicas e fundamentais para a felicidade dos povos. A primeira é mais prosaica e não tem nada a ver com seu carro quebrar. Pelo contrário, o pisca alerta nestes casos é ligado na descida das serras com neblina. A segunda é mais abrangente. Serve para consertar todas as situações erradas em que você se mete dirigindo seu carro. O que você quer fazer é proibido? Ligue o pisca alerta que fica tudo certo e você dentro da lei.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.