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Cadê as pessoas?

Cadê as pessoas que moram e correm todos os dias pelas ruas alucinadas de São Paulo? Cadê as caras, os rostos, destes milhões de indivíduos que se cruzam, mas não se misturam? Cadê a coragem de parar e olhar para o lado e cumprimentar quem está ao seu lado, dentro do elevador?

Você já reparou como é curioso ver as pessoas entrarem no elevador? Fica uma do lado da outra, pelo tempo fugaz de uma viagem para cima ou para baixo, sem jeito, procurando disfarçar, sem olhar para a outra, sem dizer uma palavra, um simples bom dia, ou mais simples ainda, como vai?

Não se falam, não se olham, nem querem saber quem são ou como vão. Mesmo morando um em cima do outro por décadas, a convivência é um mero encontro patético, ainda que diário, dentro de uma caixa que sobe e desce, chamada elevador.

Cadê as pessoas agindo como seres humanos, compartilhando o calor da vida com outros seres humanos?

Será que a vida na cidade grande é tão sem sentido que tira o sentido das pessoas tentarem viver bem, uma com as outras? Ou até menos que isso, a vontade de se respeitarem?

Andar pelas calçadas é quase sempre triste. Mesmo as mais movimentadas carregam a solidão coletiva de milhares de pessoas fechadas como caramujos, se arrastando feito lesmas, tentando desviar dos buracos e das barracas dos camelôs.

Cada vez mais as pessoas se buscam pra ficar só. Os encontros não se aprofundam, ninguém tem interesse no que o outro tem para lhe dizer. Quando muito, dois mais dois é apenas a soma de duas solidões.

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.