Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

Pneu furado

Há pouca coisa no mundo mais estúpida do que descobrir que o seu pneu está furado. É chato quando estamos estacionados e, voltando para o carro, damos com o bruto no chão, esmagado como um ditador depois da visita das tropas americanas. Dá raiva, vontade de gritar, chamar alguém para trocar, mas, como somos homens e homens não choram, nem pedem socorro, simplesmente se abaixam e troca m o pneu, seu e de alguma moça bonita parada na rua, na mesma situação, o jeito é colocar a mão na massa, que normalmente está suja, e trocar o pneu furado o mais rapidamente possível.

Mas mais chato ainda é quando estamos dirigindo e de repente sentimos um puxão na direção, que, dependendo da velocidade, ameaça desgovernar o carro e sem ninguém dizer nada, temos certeza de que um dos pneus da frente furou.

A diferença básica entre as duas situações é que na primeira dá pra salvar o pneu e na segunda isso nem sempre é possível.

Dependendo da rua, não tem como estacionar na pista da direita e aí o jeito é seguir em frente até onde der, e este onde der costuma ser um ponto adiante do que o pneu resistiria sem ser cortado pela roda girando sobre a borracha vazia.

De qualquer forma, tanto faz o jeito, sendo homem lhe compete trocar o pneu sozinho e isso, ainda que não sendo difícil, é incômodo e chato, desde tirar os parafusos da roda até colocá-los de novo, depois de ter trocado o pneu furado pelo estepe, ficando sujo como é praxe acontecer.

Só que a aventura ou desventura não acaba aí. Você ainda tem que achar um borracheiro e mandar consertar o pneu furado, porque andar sem estepe é a melhor forma de atrair outro furo e aí parar de vez.

___
Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: SpotifyGoogle Podcast e outras.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.