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Cadê os nomes do passado?

Um país é feito lentamente ao longo do tempo, como os elos entrelaçados de uma corrente que se estende comprida, desde uma ponta até a outra, ininterruptamente, pelos séculos que separam o mais remoto começo dos dias de hoje.

Mas se um país é feito e depois demarcado pelas fronteiras nacionais, uma nação é algo mais complexo, que começa a ser feito no mesmo instante em que se começa a abrir o país, mas com uma profundidade mais densa, que ultrapassa a marca geográfica, para se entranhar na alma do povo, no coração das pessoas, criando a argamassa que une e solidifica os seus integrantes num bloco forte, indestrutível e capaz de mover montanhas, movido pelos ideais básicos comuns.

No processo, o passado nacional tem um peso impressionante na composição do todo, dando a sustentação indispensável para o sonho do futuro e a realidade do presente. Não há nenhuma grande nação que não preserve e honre o seu passado, na bandeira hasteada, no hino cantado com emoção, nas cores e nas armas nacionais, nos mais diferentes campos de atuação, seja na política, no esporte e até mesmo na guerra.

Infelizmente o Brasil mata sistematicamente o passado que não interessa a este ou aquele poderoso do momento, em ações estúpidas que fazem os livros escolares de história nacional ficarem com cara de coletânea de enredos de escola de samba, e não como deveriam ser, com começo, meio e fim, mostrando os passos dados ao longo de 5 séculos para se construir um dos mais vastos países do mundo e uma boa nação.

Ao longo deste tempo os rostos se perderam, mas os nomes das pessoas que fizeram esta história deveriam estar aí. Cadê os nomes do passado, que criaram uma nação muito melhor que seus líderes?

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.