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Outro horário e pau na hora normal

A Prefeitura resolveu mudar o horário do rodízio de veículos na cidade de São Paulo. O rodízio segue firme e forte, mas agora ele é noturno. Não sei se a Prefeitura planejou ou se as coisas aconteceram porque tinham que acontecer, à margem de qualquer plano mais sofisticado sobre a questão.

Como não saio de noite, não sei qual o impacto da mudança nas ruas da cidade. Tem quem diga que isso foi feito para inibir os bailes e aglomerações que insistem em desafiar o bom senso e são uma ameaça à vida de milhares de pessoas que não têm nada com isso, mas que acabam morrendo porque irresponsáveis contraem o vírus e depois vão visitar parentes que acabam contaminados e, muitas vezes, internados.

Mas o outro resultado é fantástico. Com a mudança do horário do rodízio, durante o dia aumentou o número de veículos circulando pela cidade e consequentemente aumentou o tráfego nas ruas e os congestionamentos, que haviam sumido, ressurgiram, firmes e fortes, como nos melhores momentos antes da pandemia.

Esse é o grande resultado da mudança do horário do rodízio. Sabendo que os congestionamentos estão comendo solto, o cidadão pensa duas vezes antes de tirar seu carro da garagem e sair de casa sem uma razão muito forte para isso.

O dado apavorante é que, se de um lado, acertaram na mosca com o aumento dos congestionamentos, de outro, erraram feio ao reduzir o número de ônibus e trens do Metrô e da CPTM. O resultado foi a aumento da lotação dos carros e vagões e a facilitação da propagação do coronavírus em função do ajuntamento forçado das pessoas nos trens e ônibus que servem a Grande São Paulo.

Quanto tempo a mudança vai durar é uma incógnita, como tantas outras que são parte do nosso dia a dia. Quem viver, verá.

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.