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Não tem como ser diferente

Outro dia eu descobri que o City Butantã sofreu, nos últimos 12 meses, um número muito alto de assaltos a residências. Também descobri que, para vigiar uma grande área, que vai da Marginal Pinheiros ao Jardim Guedala e, na outra direção, engloba o Parque dos Príncipes, passando pelo Butantã, a Polícia Militar tem cinco viaturas. Isso mesmo, pasme! Cinco viaturas!

A ironia é que, quase na esquina da Avenida Valentim Gentil, em frente ao City Butantã, tem uma garagem da Polícia Militar, mas, como é para os veículos do policiamento de trânsito, os policiais alocados lá não fazem a segurança do bairro, o que explica os ladrões não temerem a polícia e assaltarem a menos de cem metros de sua base.

“Mateus os fez, Mateus os crie”. O velho ditado foi mais ou menos adaptado ao bairro, ou a vários bairros de São Paulo, que passam pela mesma situação, com as residências regularmente visitadas pelos assaltantes, que, na maioria das vezes, vão embora sem maiores contratempos e que dificilmente são localizados, apesar das câmeras de segurança filmarem toda a ação.

A responsabilidade pela segurança pública é transferida pelo Estado, que é quem tem a obrigação de garanti-la, para o cidadão, que tem o direito de exigi-la, mas que sabe que, chova ou faça sol, isso não vai acontecer.

Não tem nada de novo nos dias azuis e ensolarados. O problema não apareceu neste governo. Assaltos acontecem há bem mais de 20 anos, com mais ou menos regularidade, dependendo da região da cidade.

Agora, Alto de Pinheiros, Butantã, Jardim Paulista, Paulistano, Europa e América entraram na dança. Nada que não aconteça também em outros bairros das Zonas Leste, Norte e Sul. Quer dizer, entre secos e molhados, o crime age democraticamente e apavora a cidade inteira.

Para piorar, a Justiça solta parte dos bandidos que são presos.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.