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A Enel é pior do que você pensa

São Paulo foi varrida por um vendaval como eu não me lembro de ter visto outro igual. No dia 10 de dezembro do ano passado começou ventar cedo e foi crescendo até atingir velocidade capaz de interditar o aeroporto de Congonhas. Mas o vento foi além, se estendeu por todo o dia, numa escalada impressionante que mostrou que quem manda é a natureza.

Como não podia deixar de ser, o vento fez a festa. Centenas de árvores caíram ou foram esgalhadas, causando prejuízos de todos os tipos e tamanhos. O resultado foi o que se viu, mais de 2 milhões de imóveis sem energia elétrica.

Até aí não tem como colocar a culpa na Enel, a distribuidora de energia da Grande São Paulo. Nem porta-aviões nuclear conseguiria fazer frente a ventania que correu solta, fazendo a festa na cidade.

O problema está no depois. Como sempre a distribuidora não planejou e colocou menos gente para fazer os reparos. Parece que foram 1.300 equipes, com a missão de restaurar o nó que parou a cidade.

Claro que, como sempre, não deu certo. Faltou planejamento e competência. Teve gente que ficou mais de 4 dias sem energia elétrica, com tudo de dramático que isso pode representar.

Portadores de necessidades especiais sem elevadores para alcançarem seus apartamentos. Comida perdida nas geladeiras e congeladores. Impossibilidade de entregar o trabalho na data certa. Comércio e indústria parados na véspera do Natal.

E casos ainda mais fantásticos, como minha casa que não ficou sem energia na ventania, mas no dia seguinte, à noite, sem vento e sem chuva. Com certeza foi uma demonstração de comprometimento cívico da Enel. Se tem gente sem luz, todo mundo tem que ficar no escuro. Apaguem os que estão acesos. A Enel é muito pior do que você pensa e o governo sabe.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.