O importante é ter história
Faz alguns anos que na minha briga com meu peso tenho pedido regularmente. Não adianta fazer força, o peso ganha, tanto faz como eu queira enganá-lo. O resto é humildade e comiseração.
É verdade, minha barriga está maior do que era no passado. Não sou obeso, ou algo assim, mas minha barriga se destaca com certo orgulho, como figura de proa de uma mini Nau Catarineta.
Eu sei que é feio admitir, mas às vezes me parece que é hora de entregar os pontos e ser feliz barrigudo. Aí vem uma onda de pudor e a luta recomeça, eu de um lado, minha barriga do outro e a balança como árbitro. E o resultado é invariavelmente o mesmo, levo vantagem na saída, mas ao longo do tempo, volto a engordar os 3 quilos que consegui perder.
Tanto faz, nessa hora o caminho é gritar como Cyrano de Bergerac, “Que dizem vocês, é impossível? eu sei que é impossível, mas não me bato pela esperança da vitória. Eu me bato, eu me bato, eu me bato”.
E a luta segue em frente, dura, terrível, desigual, com meu peso invariavelmente levando vantagem, tanto faz se usando métodos lícitos ou ilícitos.
Ou uma torta de maçã não é um golpe baixo? Como resistir a ela, como resistir a um sorvete? Meu peso sabe que eu não resisto e não hesita em usar golpes como esses para ganhar mais algumas gramas e depois, quilos.
Mas toda moeda tem dois lados. Foi quando eu estava quase desistindo que a salvação surgiu, como Ivanhoé montado em seu cavalo branco.
Quando estava quase entregue, a Gabriela, enfermeira do Hospital Vila Nova Star, numa única frase me deu a força para ficar bem na foto.
“Quem não tem barriga, não tem história”. Obrigado, Gabriela.
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