O Rufino segue sendo o Rufino
Não é comum eu colocar nomes de estabelecimentos ou empresas nas crônicas da cidade. A razão é simples. Não tem matéria paga, nem acerto com ninguém, então o mais fácil é não citar nomes.
Mas existem as exceções. Essa crônica é uma delas. Vou falar de um restaurante que eu frequento desde a década de 1960, quando funcionava numa casinha numa esquina do fundo, no fim da praia da Enseada.
A primeira vez, ou as primeiras vezes que fui lá, foi com minha família, meu pai, tio Ruy e tio Caco comandando a turma da molecada. O grande prato era um peixe assado que valia a viagem.
Daí pra frente, frequento o Rufino praticamente todas a vezes que vou ao Guarujá. E o restaurante segue sendo muito bom. Só que no lugar do peixe assado, já faz tempo que meu pedido de resistência é uma porção de lula de entrada e a célebre tamarutaca húngara de prato principal.
Durante anos, nas férias ou em fins de semana, fui ao Rufino jantar e invariavelmente comi esta combinação, normalmente, bebendo uma cerveja gelada para fazer descer melhor.
Com o tempo e o sucesso, o Rufino mudou de casa, saiu da rua do fundo e se instalou numa esquina importante, de frente para a praia da Enseada, na curva para a estrada de Pernambuco.
Ele está no novo endereço faz muitos anos e pouca gente se lembra do restaurante original. Eu mesmo, só me lembrei dele na última vez que fui ao Rufino, agora, no começo do ano, comer minha tradicional tamarutaca a húngara.
Quando o garçom me entregou o cardápio eu disse que não precisava, sabia o que eu ia comer. Nesse momento me lembrei do começo dessa história, do peixe assado, do sucesso da casa, da mudança de endereço e tudo que ao longo de mais de 50 anos me fala do Rufino.
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