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Cada um é cada um

Diz a lenda, invocando uma hipotética certeza científica, que existe uma relação ideal entre peso e altura. É um padrão imposto em nome da qualidade de vida ideal e que deveria ser seguida a ferro e fogo por todos os seres humanos, depois de atingirem a idade adulta.

Muito bem, até aí está tudo quase certo. Quem foi que disse que essa relação é a melhor para todo mundo? Quem garante que os metabolismos funcionam da mesma forma e no mesmo ritmo e que todo os corpos têm comportamento semelhante?

Será que fatores externos não interferem de formas diferentes no corpo de cada pessoa? Será que um corpo com determinada compleição obrigatoriamente deve agir como outro completamente diferente, diante de realidades semelhantes? E como fica quando as realidades são opostas?

Não sei quem determinou que essa é a verdade. Quando vejo grandes obras de arte, feitas em diferentes séculos, ou por civilizações diferentes, constato que a relação peso e altura invariavelmente é típica de uma época, ou de uma civilização, ou de fatores como as dificuldades diante do meio ambiente.

Muitas vezes, para não dizer na maioria delas, pessoas mais cheias são sinônimo de sucesso, de saúde, de realização em vida. Não é comum mulheres muito magras serem o assunto principal da maioria dos quadros renascentistas. Ao contrário, invariavelmente as heroínas estão mais para rechonchudas e com uma barriguinha.

Na estatuária, dizem que as medidas ideais são as definidas pelos gregos, mais de 2500 anos atrás. O problema é que o ser humano ao longo do tempo mudou de compleição. Então, até onde aceitar estes parâmetros leva ao corpo perfeito? Pois é, diante dessas objeções, não tem corpo ideal. Cada um é cada um, o importante é ser feliz.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.