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Os mija-mijas floriram

Eles se chamam espatódia ou espatodea, mas atendem por mija-mija. E o apelido é internacional. Cruzou mares, chegou em Paris, nas histórias sobre o Brasil contadas por um prefeito que andou por aqui, anos atrás, visitando fazendas em São Paulo.

O prefeito de Paris, irmão do poderoso presidente Charles Degaulle, caminhava pelo grande jardim da sede de uma fazenda paulista quando viu a enorme árvore, coberta de folhas vermelhas. Ele se encantou, foi até o tronco e perguntou, com toda naturalidade, que árvore era aquela.

Era uma espatódia, mas nenhum dos que estavam passeando com ele, adultos e crianças, sabia o nome correto da árvore. Para todos era um mija-mija, porque suas flores fechadas, com água dentro, serviam para brincar, espremendo a flor e jogando água no outro.

Essa explicação seria indelicada, ou pouco diplomática, mas era o que tinha para o momento e um adulto com presença de espírito pegou uma flor fechada num galho, mostrou ao prefeito, espremeu, a água jorrou e ele completou: C’est um mijá-mijá.

Os mija-mijas ocupam algumas regiões chaves da cidade de São Paulo. Em Perdizes é possível ver ruas inteiras arborizadas com grandes mija-mijas, chamados oficialmente de espatódias (poderia ser espatodea, mas eu prefiro espatódia).

Eles florescem nessa época do ano. Aliás, em sinal de absoluto anarquismo, faz tempo que florescem quando querem, o que deixa a cidade sempre querendo mais, porque suas flores vermelhas são realmente deslumbrantes.

Mas a época certa da florada é do fim do ano a março, então, agora é o momento deles, por isso caminhar na Cidade Universitária fica ainda mais gostoso. Os mija-mijas estão floridos.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.