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Vamos salvar Guarapiranga

Há algumas semanas, o secretário especial para mudanças climáticas da prefeitura, José Renato Nalini, escreveu um artigo primoroso, dramático e triste, a respeito da Represa de Guarapiranga.

Não é a primeira vez que eu entro no tema. Guarapiranga pede socorro faz tempo, desde que gente ligada a políticos mais interessados no próprio bolso começou a lotear uma imensa área, em volta da represa, que deveria ser protegida pela Lei de Proteção dos Mananciais.

Dane-se a proteção da lei! Faz décadas que o entorno da represa é vendido no atacado e no varejo, e não são apenas moradias populares que proliferam na região. Tem casa com piscina, campo de futebol e o mais que as moradias de luxo, nos dias atuais, devem oferecer.

Guarapiranga foi feita para gerar energia elétrica para São Paulo. Com uma grave crise hídrica na década de 20 do século passado, foi incorporada também no sistema de abastecimento de água da Capital.

Atualmente, ela serve 5 milhões de habitantes com uma água que ninguém sabe muito bem o que contém. Da represa, com certeza, vem alga, restos de cocaína, pílula anticoncepcional, fármacos, fezes, urina e os produtos colocados na água para matar as algas.

Depois de captar o líquido que no passado foi água, a SABESP coloca mais um punhado de ingredientes que ninguém sabe quais são para torná-la água potável. E ela adquire cor, gosto e cheiro, em desacordo com a definição clássica de água.

5 milhões de pessoas são abastecidas com a água da Guarapiranga. Será que elas estão usando uma água saudável? Mais grave ainda, a represa está sendo assoreada, quer dizer sua capacidade de armazenamento está diminuindo. O problema é grave, tem muito a ser feito e não tem muito tempo para isso.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.