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20 anos da morte de meu pai

É assustador, mas está fazendo 20 anos que meu pai morreu. E faz 11 anos que minha mãe foi se encontrar com ele nas praias da eternidade.

Os 2 faleceram no mesmo dia 3 de abril, com 9 anos de intervalo. Ele em 2006, ela em 2015. Entre a hora das duas mortes, um espaço de 2 horas. Ela não conseguiu por pouco. Sua vontade era, evidentemente, morrer na mesma data e hora que ele.

Até o médico ficou impressionado. 5 dias antes de sua morte o médico, Dr. Raffaelli, conversou comigo e minhas irmãs. Não havia mais o que fazer, exceto dar o máximo de conforto, até ela morrer. Segundo ele, dificilmente ela passaria daquela noite. Ela resistiu mais 5 dias, para morrer no mesmo dia que ele.

Coisas que a lógica não explica, mas que a vida confirma. Existe muito mais entre nossas vidas e nossas mortes do que pode imaginar o cérebro humano. Coincidências como a deles não são tão raras. Na nossa família mesmo, teve outro caso semelhante.

A morte de meu pai foi mais sofrida e mais triste. Em estado terminal, pouco antes de morrer, foi entubado por um médico que não era o dele e por conta disso viveu mais um ano, com muito pouca dignidade.

Eu fui questionar o médico que o havia entubado e que não tinha nada com o caso, porque havia feito o que fez e a resposta foi inusitada. Segundo ele, ele era católico. Só que meu pai não tinha nada com isso.

Coisas e fatos que têm que acontecer, mesmo os diretamente interessados não querendo. Por que é assim? Porque é. A hora da nossa morte está escrita em algum lugar do universo e ninguém foge dela. Não se morre antes, nem depois, se morre na hora marcada.

Sinto falta deles. Foram bons país. Deram o melhor de si e foram amigos dos filhos. Que na eternidade sigam próximos e sejam felizes.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.