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A hora e a vez de quem tem sentimento

[Crônica de 7 de agosto de 2000]

Num mundo cada vez mais brutal e estúpido, onde o sangue jorra nas histórias para adolescentes e no meio das ruas, pelos motivos mais tolos e mais torpes, será que ainda há espaço para quem tem sentimento?

Será que ainda cabe uma palavra boa, um gesto delicado, uma lágrima fora de hora? Ou será que já foi tudo para o saco e agora é só porrada? Pancada no fígado, mentira, mau caratismo e o mais de feio e ruim que existe na vida, e faz parte do dia a dia da humanidade?

Quem sabe as razões que fazem alguém se emocionar com um filme, com a estória de um cão, com uma criança passando frio? Será que é feio ter pena, dividir compaixão, acreditar na solidariedade e que o ser humano pode ser bom?

Tem gente que faz o que quer, no ritmo que quer, da forma que quer como se ter dinheiro lhe desse o direito de agir acima do bem e do mal.

Mas será que é assim mesmo? O caminho é esse ou existe uma alternativa mais bem resolvida, dentro de parâmetros éticos, onde as coisas são da forma como devem ser, levando em conta a dignidade humana?

Acredito que a maioria das pessoas são boas. Tolerantes, capazes de gestos desprendidos, sem arrependimentos em função do que os outros vão achar.

Não é verdade que o Congresso Nacional é o retrato do brasileiro. Interessa vender a ideia, mas ela é falsa. Feito o brilho de um pedaço de vidro querendo passar por diamante.

O brasileiro é correto, honesto e acima de tudo sensível aos problemas que o cerca. Mais que nunca é hora de colocar isso pra fora.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.