A hora é a hora
Meu pai contava que durante a Segunda Guerra Mundial, quando ele serviu como soldado no corpo de artilharia de costa, em Santos, no quartel tinha um sargento obcecado com pontualidade que dizia que “Antes da hora é cedo, depois da hora é tarde, a hora é a hora”.
O sargento estava certo. A hora é a hora, ou pelo menos nos países mais civilizados a hora é a hora.
Para dar um exemplo do que isso quer dizer, a Suíça proibiu os trens alemães de fazerem conexões no país, porque eles não são mais confiáveis em função de um atraso médio de 6 minutos, se não me engano, por ano.
6 minutos por ano desorganizam o funcionamento da rede de trens Suíços, comprometem as conexões, impedem as baldeações, a abertura e fechamento dos ramais, inviabilizam o sistema, daí a Suíça ter proibido os trens da antes pontual Deutsche Bahn de entrar no país e encher os alemães de vergonha.
Aqui, 6 minutos é brincadeira de criança. Quem tem que avançar pelas ruas paulistanas sabe que uma hora é tempo para poucos quilômetros e que, dependendo para onde você deseja ir, duas horas não é fora de propósito.
Tem mais carro do que cabe e menos fiscalização e controle do que precisa. O resultado é o caos determinar quanto tempo você vai levar e se vai atrasar ou não.
Mas pior do que isso é nossas autoridades atrasarem sistematicamente. Não é por acaso, é de propósito, elas imaginam que é de bom tom deixar a torcida esperando, algumas vezes mais de uma hora.
Ah, se o sargento do quartel de Santos tivesse sido mais ouvido, o Brasil poderia ser um outro país. As grandes coisas são importantes, mas são os detalhes que fazem a diferença. A hora certa é um deles.
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