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O Centro Velho, hoje

Hoje o Centro Velho é território arrasado. A quantidade de imóveis fechados, deteriorados, abandonados, invadidos é apavorante. E cada vez que eu vou lá o número só aumenta. Faz décadas que o processo está em marcha. A cada ano, ou a cada mês, mais lojas vão embora, mas bares e restaurantes fecham as portas, menos gente anda pelas ruas.

Até aqui nada de novo debaixo do sol. Esse quadro já foi descrito em outras crônicas até mais pesadas que contavam inclusive do cheiro horrível que empesteia certas ruas usadas como banheiros.

Mas agora aparece uma luz no fim do túnel. Durante os últimos anos se falou muito e se fez pouco para recuperar a região. Prédios icônicos foram abandonados ou invadidos, os escritórios foram fechados, as empresas foram embora e o poder público falava, mas não agia.

De uns meses para cá o quadro é outro. A reforma dos prédios abandonados passou a sair do papel, a prefeitura está atuando para fazer o retrofit dos edifícios e tem uma boa chance de agora ser para valer. Até porque está saindo grana, os prédios estão sendo vendidos e alguns já estão inclusive sendo reformados.

É uma grande notícia. O Centro Velho tem a melhor infraestrutura da cidade. A fiação é subterrânea, o metrô cruza a região, tem transporte de todos os jeitos na porta, água encanada e saneamento também.

Deixar isso deteriorar é jogar dinheiro fora, é queimar bilhões de reais que só estão esperando para serem reutilizados. Transformar os antigos prédios de escritórios em moradias faz todo o sentido. Tem espaço quase pronto para dezenas de milhares de moradores.

E tem espaço para o comércio reocupar as antigas lojas. Lá já estiveram as melhores marcas, grandes restaurantes, lugares incríveis. Mais do que nunca é hora de reocupar e dar vida para a região.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.