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Um meio ambiente mais puro ressurge

Em meio ao caos, a vida agradece

A mudança na rotina da população mundial, forçada pela pandemia do coronavírus a trocarem escritórios e indústrias pelo confinamento em suas casas, tem alterado drasticamente a realidade nas cidades e a do planeta Terra. O trânsito intenso desapareceu, as fábricas desligaram as suas chaminés e o comércio, exceto os que vendem itens essenciais, suspendeu as suas atividades ou se adaptou ao delivery. Esse movimento sem precedente na história da humanidade trouxe à tona uma resposta da natureza.

Em algumas cidades do mundo, a quarentena imposta deu lugar a um cenário que há muito tempo não se via. Conhecidas por serem escuras e terem mal cheiro, as águas dos canais da região de Vêneto, na Veneza, voltaram a ser cristalinas e, quem diria, cisnes e peixes estão nadando por lá. Um cenário parecido é visto no porto de Cagliari, na Sardenha, com o retorno dos golfinhos e nos lagos de Roma, com os patos.

Outro grande impacto dessa pausa forçada foi na poluição atmosférica. Na China, nas suas quatro maiores cidades, Pequim, Xangai, Guangzhou e Chengdu, um estudo conduzido pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, constatou que no período em que a maioria da população esteve trabalhando em casa, aproximadamente 77 mil vidas foram poupadas por conta da redução considerável da poluição atmosférica.

Na Itália também foi registrada, através do satélite Copernicus, em um período de três meses, de janeiro a março, a redução dos efeitos do gás emitido principalmente por carros, caminhões e indústrias, o dióxido de nitrogênio. O mesmo deve se repetir em várias regiões do mundo e aqui no Brasil, como em São Paulo, onde a frota circulante foi reduzida consideravelmente. E que ressurjam novas formas de vida, a exemplo do que aconteceu nos países citados.

Mais do que apreciarmos as respostas da natureza em meio a esse caos, ela está nos trazendo um aprendizado de como é possível viver em harmonia, sem ficarmos confinados, mas buscando formas para um convívio sustentável com o planeta. Talvez no final dessa pandemia haja um despertar da humanidade, uma mudança de valores, do que de fato faz a diferença em nossas vidas e o quanto cada um de nós podemos contribuir para essa mudança.

Qual é a sua visão sobre essa mudança? Compartilhe:

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.