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A inauguração do Vale do Anhangabaú

Ainda sem data prevista, o marco da cidade de São Paulo tem muitas histórias

Cartão postal da cidade de São Paulo, as obras de requalificação e reurbanização do Vale do Anhangabaú começaram em 2018 e sua inauguração já foi adiada por seis vezes. Concluída em 30 de outubro de 2020, na época, foram feitos testes e ajustes finais para a entrega e operação dos equipamentos. Mais recentemente, o contrato das obras de revitalização foi suspenso até julho pela Prefeitura de São Paulo. Conforme alega a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, a ação foi tomada para que os trâmites burocráticos para o recebimento do empreendimento sejam realizados.

Palco de comícios e manifestações populares, a mais notória delas foi a “Campanha das Diretas Já!”, em 16 de abril de 1984, que reuniu no Vale do Anhangabaú mais de 1,5 milhão de pessoas exigindo eleições diretas e o fim do regime ditatorial. O seu nome em tupi significa rio ou água do mau espírito. E no século 17, a água do rio que forma o vale era usada para lavar roupas e objetos e até para tomar banho. Por volta de 1822, a região era uma chácara de propriedade do Barão de Itapetininga, onde eram cultivados chá e agrião.

Até o fim do século 19, o Vale do Anhangabaú era uma barreira para o crescimento da cidade, uma vez que todo o núcleo urbano estava concentrado no chamado Centro Histórico, ou Triângulo (a região entre o Largo de São Bento, São Francisco e o Pátio do Colégio). Isso mudou com a construção do Viaduto do Chá, dando início à urbanização e ao desenvolvimento do Centro Novo, do outro lado do vale.

Desde então, o Vale do Anhangabaú já teve várias configurações. No começo do século 20, ele foi jardinado e canalizado. Em 1910, ganhou o status de Parque do Anhangabaú. Já a primeira grande reforma foi nos anos de 1940, com a criação das ligações subterrâneas às Praças Ramos de Azevedo e Patriarca, conhecida como Galeria Prestes Maia.

Com a nova reforma, ele terá uma superfície cinza e reta, cercada por árvores e bancos de madeira, antes era composto por curvas que acompanhavam os canteiros. O espaço também abrigará quiosques de gastronomia e para outros tipos de comércio. Pelo edital, pelo menos 324 atividades gratuitas deverão ocorrer regularmente.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.