Os flamboyants
[Crônica de 20 de dezembro de 2013]
A natureza completa mais um ciclo. O solstício está aí, escondido pelo Natal, mas o mundo vegetal sabe que ele vem e se prepara para recebê-lo, como os antigos habitantes da Inglaterra o faziam mais de 3 mil anos antes de Cristo. Stonehenge e a florada dos flamboyants. Origens opostas unidas pelo fenômeno cósmico que marca a vida na terra e divide com os equinócios o quadrante do céu.
Dois exatamente iguais e dois exatamente iguais. Será? Frio e calor, sol e chuva se encarregam de fazê-los semelhantes, mas não necessariamente iguais. Tanto faz, na vida do planeta, o que é a matemática e a observação humana, diante de forças que ultrapassam nossa capacidade de intervenção?
É assim porque é assim. Porque a natureza decidiu que seria assim, ou a evolução das espécies acabou fazendo assim, o que é exatamente a mesma coisa. Tanto mar e tanta mata. Desertos em outras partes. E lagos salgados que não se confundem com o mar. Não. São lagos, não são mares. Como o pranto não é rio, apenas a exteriorização de sentimentos que escorrem pela face.
Por que os flamboyants florescem em dezembro? Por que os ipês escolheram junho? E os hibiscos da USP insistem o ano inteiro?
É assim porque é assim. Não nos compete entender, mas apenas aceitar. Aceitar já é muito. O que vale é a sequência maravilhosa das floradas que enfeitam São Paulo ao longo do ano. Agora é a vez dos flamboyants. Então, que sejam bem-vindos e que suas flores tragam amor e paz às pessoas de bom coração. E àquelas que não são tão boas assim, também. Afinal, é Natal. É o solstício comemorando a chegada de Deus.
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