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Os resedás estão aí

[Crônica de 7 de janeiro de 2014]

Tem gente que gosta, tem gente que não gosta, tanto faz. Eles estão aí e querem mais que quem não gosta fique sem gostar. Resedá que é resedá não liga para a fofoca, nem tem medo de cara feia. Floresce na hora de florir e quer mais que o mundo acabe em barranco para se encostar nele e ficar vendo a vida passar.

Com os desafetos fazendo careta, mas tendo que aguentar a florada bela e delicada dos resedás de São Paulo.

Os resedás são árvores delicadas, então não teria como sua florada ser diferente. Não é. Ela reflete o que eles pensam do mundo. E como eles imaginam que o mundo é um lugar bom, onde vale a pena viver e florir, é isso o que eles fazem com toda a competência que a natureza lhes deu.

A florada dos resedás chega quase junto com a dos flamboyants, mas um não interfere com o outro. Ao contrário, se respeitam. Por isso cada um tem seu espaço, no espaço muito maior da cidade no começo do verão.

Flamboyant de um lado e resedá do outro? Não necessariamente. Podem estar lado a lado, um na frente e outro atrás ou vice-versa. Tanto faz, não são árvores invejosas e como cada uma sabe de suas qualidades e da beleza de suas flores, florescem muito bem, obrigada.

Uma mostrando para outra algum truque novo, aprendido este ano, para fazer a época das férias mais bonita e mais gostosa.

Eu sei que tem árvore invejosa. Árvore ciumenta. Exatamente igual ao que acontece com os seres humanos. Alguns são melhores do que os outros. Mas isso não tira a beleza dos que são bons e generosos. A regra vale para as plantas. Os resedás – a maioria deles – querem mais é o mundo mais bonito e mais alegre. Amém.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.