Os resedás estão aí
[Crônica de 7 de janeiro de 2014]
Tem gente que gosta, tem gente que não gosta, tanto faz. Eles estão aí e querem mais que quem não gosta fique sem gostar. Resedá que é resedá não liga para a fofoca, nem tem medo de cara feia. Floresce na hora de florir e quer mais que o mundo acabe em barranco para se encostar nele e ficar vendo a vida passar.
Com os desafetos fazendo careta, mas tendo que aguentar a florada bela e delicada dos resedás de São Paulo.
Os resedás são árvores delicadas, então não teria como sua florada ser diferente. Não é. Ela reflete o que eles pensam do mundo. E como eles imaginam que o mundo é um lugar bom, onde vale a pena viver e florir, é isso o que eles fazem com toda a competência que a natureza lhes deu.
A florada dos resedás chega quase junto com a dos flamboyants, mas um não interfere com o outro. Ao contrário, se respeitam. Por isso cada um tem seu espaço, no espaço muito maior da cidade no começo do verão.
Flamboyant de um lado e resedá do outro? Não necessariamente. Podem estar lado a lado, um na frente e outro atrás ou vice-versa. Tanto faz, não são árvores invejosas e como cada uma sabe de suas qualidades e da beleza de suas flores, florescem muito bem, obrigada.
Uma mostrando para outra algum truque novo, aprendido este ano, para fazer a época das férias mais bonita e mais gostosa.
Eu sei que tem árvore invejosa. Árvore ciumenta. Exatamente igual ao que acontece com os seres humanos. Alguns são melhores do que os outros. Mas isso não tira a beleza dos que são bons e generosos. A regra vale para as plantas. Os resedás – a maioria deles – querem mais é o mundo mais bonito e mais alegre. Amém.
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