A fundação de São Paulo
[Crônica de 25 de janeiro de 2010]
Dizem as forças ocultas que escrevem a história brasileira, que São Paulo foi fundada em 25 de janeiro de 1554. Não é verdade, mas a data vale como marco para justificar as comemorações.
São Paulo não foi fundada. E muito menos em 25 de janeiro. O que aconteceu neste dia foi a inauguração das instalações do segundo colégio dos jesuítas no planalto de Piratininga. O acontecimento era de tal forma limitado dentro da rotina dos padres, que o Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, Padre Manuel da Nóbrega, que estava na região, no dia 25 de janeiro encontrava-se nas alturas Itu, estudando o caminho do Peabiru para ver as possibilidades de utilizá-lo como rota de penetração para o interior da América do Sul.
Se 25 de janeiro fosse pensado para ser a fundação de uma vila, com certeza a missa de consagração do Colégio teria sido rezada por ele. Para completar, na época o padre José de Anchieta era mero irmão, quer dizer, não era padre, e nem tinha cargo de comando na hierarquia dos jesuítas.
São Paulo começa em 1532, com a fundação e instalação do Pelourinho da Vila de Piratininga. Muda-se para Santo André da Borda do Campo que recebe o Pelourinho de Piratininga e elege Conselho com João Ramalho como primeira autoridade.
Se São Paulo tem data de fundação, esta é a data determinada por Mem de Sá, Governador Geral do Brasil, a pedido de Nóbrega e João Ramalho, para a união dos moradores de Santo André e das proximidades do Colégio, na região ocupada pelos jesuítas, pelas vantagens para defesa. Ou a data da transferência do Pelourinho. De qualquer forma, a Vila de São Paulo, formalmente, só passa a existir após 1560.
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