O mágico dos guias
[Crônica de 24 de fevereiro de 2000]
Eu tenho um amigo, chamado Nelson Cunha que, como todo mundo, tem defeitos e qualidades. Como ele é meu amigo, é evidente que para mim suas qualidades normais são maiores do que seus defeitos normais, só que entre elas, o Nelson tem uma qualidade que faz dele uma pessoa diferente.
Ele tem um dom. O dom de fazer os guias mais bonitos que eu conheço, incluídos aí os guias feitos lá fora, como O Michelin e o Nicholson’s.
Os guias feitos por ele são obras primas, e, às vezes, chegam a ter um toque de obra de arte, como vem acontecendo com as últimas edições do guia “Only the Best”, com os melhores restaurantes de São Paulo.
No penúltimo número, a capa era uma montagem com uma mesa do Fasano e, no último, que acabou de sair do forno, ele fez outra montagem, agora com uma mesa do Bar des Arts. É difícil dizer qual das duas é a mais bonita.
Mas, além da beleza das capas, os guias do Nelson têm outro diferencial. Eles são feitos com um capricho enorme, cuidados em cada detalhe, para, além de bonitos, serem também fáceis de serem lidos.
Para mim, que gosto de livro pelo livro, pelo prazer de manuseá-lo, de sentir a textura do papel entre os dedos, de ver a composição gráfica, a relação entre a capa e o conteúdo, a diagramação, enfim, cada particularidade do conjunto, os guias feitos pelo Nelson são mais do que bonitos, são um prazer.
E um prazer extremamente útil, o que vai na linha inversa dos prazeres normais, invariavelmente caros e maravilhosos, que pagam qualquer preço, nos induzem a qualquer bobagem, mas não são úteis.
Lendo o “Only the Best”, além de ficar sabendo dos melhores restaurantes da cidade, volta e meia tenho o prazer de acabar jantando em um que por um motivo ou outro, estava esquecido, ou que eu não conhecia.
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