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A história se repete

[Crônica de 12 de outubro de 1998]

A história se repete com enorme monotonia, ao longo da passagem do homem sobre a terra. Os erros, parece que não se cansam de voltar, quer por teimosia, quer por ajuda do diabo.

Dia depois de dia, ano depois de ano, século depois de século, eles voltam, e voltam, e voltam, infernizando a vida e matando gente, como se a lição anterior não tivesse servido para nada, a não ser constar dos livros de história.

É verdade que algumas coisas boas que se perdem com o passar do tempo também acabam voltando e gerando novas coisas boas que nos fazem andar pra frente, ou, ao menos, não sentir dor, nem raiva, por conta da nossa própria incompetência.

O novo Código de Trânsito traz um capítulo que seria impagável, não fosse da maior utilidade e muito bem pensado. Ele determina que as carroças e charretes tenham sinalização noturna, para evitar acidentes nas zonas rurais, em função de, no escuro, elas não serem vistas.

Não é necessário que o dono instale lanternas com luz vermelha atrás, ou faróis de milha nas orelhas dos cavalos e dos burros. Também não é preciso pisca alerta, nem luz de direção amarela.

Olhos de gato que brilhem refletindo as luzes dos faróis são mais do que suficientes, o que mostra que, quando nós queremos, também fazemos boas leis, que geram bons resultados.

A graça é que posturas municipais antigas, dos tempos coloniais de São Paulo, obrigavam as carroças e carruagens de então a terem iluminação sinalizadora, para que fossem vistas depois da véspera.

É a boa lei que volta para continuar protegendo o cidadão. A sinalização de charretes e carroças pode parecer sem nenhuma importância para quem mora na capital, mas quem anda pelo interior sabe como é comum encontrá-las, sem qualquer sinalização andando de noite,  pelas estradas e seus acostamentos.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.