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Um mundo sem mulher

[Crônica de 8 de maio de 2002]

Dia 8 é o dia da mulher. Não sei se seria preciso, mas ele está aí, e o jeito é entrar na dança e pegar o dia 8 para falar da mulher. Que ele é supérfluo, pelo menos para os homens, é evidente. Desde que o mundo é mundo que o homem sabe que a mulher é muito mais importante para o equilíbrio das coisas e felicidade dos povos.

Meu avô que tinha fama de ser inteligente dizia que enquanto o homem mais rápido ainda está dando o primeiro passo, para começar a corrida, a mulher mais limitada já está voltando pela segunda vez.

Quem já viveu um pouco, sabe que ele estava sendo machista, porque o ritmo delas é muito mais rápido, e nenhum homem tem chance nesta corrida.

Mas, se fosse só por esse lado, quem sabe as mulheres não fossem tão indispensáveis assim. Teriam outras soluções, algumas até adotadas com sucesso pelos gregos antigos, que minimizariam o problema, mas, como eles mesmos constaram e sentiram na pele, não eliminariam a presença das mulheres de nenhum cenário da vida, desde o mais importante, até o mais sem sentido.

Em qualquer ocasião, a mulher é peça chave para a existência do mundo. Sem ela a poesia não teria razão de ser e o pôr do sol mais bonito seria só um fenômeno natural, sem a menor importância e que não chamaria a atenção de ninguém.

Sem a mulher e tudo que ela representa de bom e de transcendental, o homem não teria noção da sua presença cósmica, nem teria acesso a nenhum dos canais para se falar com os anjos.

É a mulher quem abre todas as portas, quem serve de freio, que empurra na hora de andar para a frente.

É ela que justifica todas as loucuras, cada gesto e cada sonho. É nela que vive a esperança e a continuidade do mundo. Sem seu ventre e seus mistérios a vida até poderia ser, mas seria alguma coisa muito chata.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.