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Inclusão social

[Crônica de 27 de julho de 2007]

Eu já escrevi contando a estória, mas não custa repeti-la. Um dia entrei num ônibus para ir ao Centro Velho. Depois de escalar três degraus fora de medida, cheguei no corredor, aonde havia um único acento livre, bem em cima da roda dianteira. Ao tentar sentar, descobri porque estava vazio: era quase impossível chegar nele. Mas eu fiz força e consegui. Ao olhar para a janela comecei a rir, no vidro estava sinalizado que aquele era um acento reservado para deficientes físicos.

Como humor negro, não poderia ser melhor. Nenhum deficiente subiria naquele banco, nem que fosse para ganhar a sena acumulada.

É verdade que depois disto a cidade recebeu alguns ônibus mais modernos, e que neles os deficientes são considerados. Mas também é verdade que a maioria dos ônibus de São Paulo ainda são como os descritos acima, sem qualquer boa vontade com os mais de 3 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de restrição física ou mental.

E não são só os ônibus que não têm qualquer respeito por elas. Basta olhar nossas calçadas, ou melhor, basta tropeçar nelas, para se ter certeza que são armadilhas extremamente eficientes até para caçar búfalos, quanto mais para atazanar a vida de quem é portador de alguma disfunção que dificulta sua inclusão na vida urbana.

São Paulo precisa mudar. Pelo menos neste ponto a cidade não pode continuar insensível, como se não fosse nada e estas pessoas não merecessem todo o nosso respeito. Não são os bandidos, os Champinhas que precisam ajuda com instalações especiais. São os outros, as pessoas de bem que pagam impostos e por serem portadoras de algum problema pagam de novo, perdendo qualidade de vida.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.