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Os relógios da cidade

[Crônica de 15 de julho de 1999]

São Paulo é uma cidade que vive com pressa. Quem sabe por isso tenha o número de relógios que tem e que ninguém presta atenção, ou se lembra ao menos que existem. Quantas vezes você já parou para pensar que em todos os lugares têm um relógio olhando para você? Mais do que isso, quantas vezes já caiu a ficha que eles existem e que estão ali, mostrando as  horas, em nome do bem comum?

Começando pelo relógio do Mosteiro de São Bento que é quem dá a hora oficial da  cidade, passando pelo relógio da estação da Luz que dava o ritmo das partidas e chegadas, quantos milhares de relógios públicos existem na cidade?

Acho que ninguém sabe, nem pode saber, mesmo com o auxílio do IBGE. São relógios nas ruas, nas torres, nas fachadas, no alto dos prédios, nas estações do metrô, nos trens urbanos, nos bancos, nas escolas, nos armazéns, nos restaurantes, nos antiquários, em todo lugar.

Uma infinidade, sem forma definida, nem caráter capaz de marcar, como uns poucos  marcam, às vezes até sem a gente perceber.

Quem não conhece o relógio do Itaú, no alto do conjunto Nacional? Quem não vê o relógio do Shopping Iguatemi e apanha para entender a hora marcada nele? No entanto quem pensa neles durante o dia?

E os relógios de esquina, que ficam em cima de postes? E os das estações de metrô, marcando o suplício da espera do trem? E o das agências bancárias, que nos dizem sempre que estamos atrasados e que a culpa é nossa?

Ah, diante deles nossa insignificância adquire um tamanho impressionante. O tamanho de Adão diante de Deus. A insignificância do homem diante do seu destino.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.