Pensando sobre a partida
A morte do Papa Francisco coloca uma série de reflexões diante da gente. Não porque seja uma morte diferente das outras mortes, mas porque pela importância do morto, a vida adquire outro significado. Se até o papa morre, o que dizer de nós simples mortais, sem qualquer ligação direta com o Criador, nem conhecido para quem pedir socorro.
Depois que nascemos existem quatro certezas: a primeira e mais importante, é que vamos morrer, as duas do meio dizem respeito as nossas necessidades fisiológicas e a quarta é que vamos pagar impostos, tanto faz se aqui ou em qualquer outro lugar.
Viver é muito perigoso e não é fácil. A vida não foi feita para ser fácil, foi feita para ser vida. Quem disser que em algum momento não pagou mico, ficou triste, não soube o que fazer, ficou doente, sem dinheiro, sem amor e sem amigos é mentiroso. Pode demorar mais ou menos, o dia do acerto de contas chega e bate de frente, não tem por onde escapar, a pancada dói, machuca, marca. Depois dela a perspectiva muda, o que era bom ontem não vale mais amanhã, as verdades não se aguentam, tudo parece diferente, sem foco, como se nos fosse dada a chance, ou imposta a necessidade de recomeçar de outro jeito.
Ser bom, andar na linha, pecar pouco não são certezas de que a vida será mais fácil, que as dores serão menores e que no final a partida será mais fácil. Não, tem muita gente que não vale nada que passa por esse vale de lágrimas nadando de braçada, a bordo de um belo iate, andando de carro de luxo e voando de jatinho particular.
Por que é assim? Vai saber. Ninguém entende a regra do jogo, se é que tem uma regra. Há quem diga que está tudo escrito nas estrelas, pode ser, só que ninguém achou o livro, nem teve autorização para ler um mísero parágrafo antes de acontecer. De certo mesmo, a morte e os impostos.
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