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A certeza é o passado?

Alguém mais inteligente já falou que no Brasil até o passado é incerto. É uma afirmação corajosa, até porque aqueles que querem mudar o passado são poderosos e não gostam de ser desmascarados.

Coisas da vida, que no Brasil adquirem uma conotação de heresia, que pode terminar com o indigitado denunciado pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que ele não tenha feito mais do que usar seu direito de livre expressão.

Em princípio, certo, mas certo mesmo, só o passado, o que já aconteceu. Só que o que já aconteceu pode ser visto de várias formas, então a narrativa de um pode ser diferente da narrativa de outro. E mais uma vez a vaca vai para o brejo, porque realmente, nem o passado é garantido.

A primeira vez que fui ao Paraguai não entendi ter uma estátua de Solano Lopez numa praça pública. E entendi menos ainda quando soube que lá ele é um grande herói, enquanto, aqui, ele é o ditador sangrento que deu origem a Guerra do Paraguai, o maior e mais mortal movimento militar da América do Sul.

Demorou um pouco para processar a descoberta. Afinal, sempre estudei que Solano Lopez foi um ditador horroroso que deu início e depois perdeu a Guerra do Paraguai, na qual, antes da vitória da Tríplice Aliança, morreram dezenas de milhares de pessoas.

Muita gente sonha com o futuro, mas o futuro não existe. Sendo futuro ele ainda não chegou, não é possível dizer se ele é bom ou não. Não tendo acontecido ele não é nada.

O passado deveria ser algo solidamente amarrado as experiências de quem o viveu. Deveria ser imutável, e na média, ele é. Acontece que aqui tentam fazer o passado acertar o passo para contar histórias que nunca aconteceram, pelo menos do jeito que querem contar.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.