A coisa é séria
Pelo jeito, Trump vê o mundo com os mesmos olhos de quando ele, jovem filho de milionário, jogava “War” com seus amigos, numa sala de um clube fechado de Nova Iorque.
Seu objetivo é conquistar a Groenlândia, o Canadá e um país da América do Sul, e ele está atrás dele com a obstinação de quem não sabe perder. Só que agora ele joga num tabuleiro muito mais complicado. Ele joga no planeta Terra e o jogo tem mais consequências que uma ressaca depois de uma noitada mal dormida.
O jogo atual mata pessoas. Inclusive inocentes, como é quase certo que aconteceu nos ataques aéreos feitos contra embarcações supostamente venezuelanas, supostamente carregadas de drogas para vender nos Estados Unidos.
A Venezuela já foi. O negócio era tirar o ditador e isso está feito, então, tanto faz o que vai acontecer com o país e seu povo. Pelo jeito, a ditadura segue em frente, agora com uma ditadora mais amigável no poder. Democracia? Ora a democracia! O que vale é o petróleo e para isso não precisa democracia.
Mas os objetivos estão aí, bem na frente do conquistador do século 21. Groenlândia! A bola da vez é a grande ilha do Atlântico Norte, que é ligada a Dinamarca há séculos. E a Dinamarca faz parte da OTAN.
Como diria minha avó: qual será o fim disso tudo? A Europa peita? A Europa faz que peita, mas não peita? Os Estados Unidos levam a Groenlândia?
Se for por esse lado, Rússia e China agradecem e mandam flores no dia do aniversário. Trump está dando a elas as razões morais pelas quais também podem acabar com a Ucrânia e tomar Taiwan. Se o que vale é a força bruta, você pega o seu que eu pego o meu, depois a gente comemora.
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