Anacleto Mão de Onça
Anacleto Mão de Onça não nasceu em Açailândia, não cresceu em Ribeirão Pires, não foi assessor de político, nem diretor de estatal. Por isso não fugiu num jatinho particular para algum lugar entre a Flórida e Vaduz.
Ao que consta também não foi as Bermudas, nem teve trading company nas Ilhas Virgens Britânicas. Ao contrário, Anacleto Mão de Onça nunca saiu da Grande Louveira, com sítio de papel passado numa periferia de Jundiaí.
Segundo informações encontradas num CD vendido, com pagamento pelo pix, em algum lugar próximo da rua Santa Efigênia, que vende todos os endereços e telefones confidenciais, incluídos políticos, juízes, banqueiros, jornalistas e empresários em geral, Anacleto nunca saiu de perto da sua casa, o máximo que ele conheceu foi Louveira, sede da região metropolitana mais importante do Estado.
É bom dizer desde já que Anacleto Mão de Onça não existe, ou se existe mudou de nome e saiu do país. Mas é bom pensar que ele foi um sitiante com 12 vacas, meia dúzia de porcos, algumas galinhas e um pomar com abacateiro, laranja lima, caqui e jaqueira. Ah! tinha uma horta também.
Um belo dia Anacleto saiu de casa e nunca retornou. Também não deixou bilhete, nem mandou recado mais tarde. Simplesmente desapareceu. Encontraram o burro que ele levava para ferrar quando desapareceu, mas dele, ninguém nunca mais teve notícia.
O que aconteceu, o que não aconteceu? Como Anacleto não existe, fui eu que inventei, poderia criar um final feliz, andando de mãos dadas com a mulher amada para ver o por do sol no alto do morro do sítio.
Mas não. Não é esse o final dessa crônica. Enquanto 8 pessoas desparecerem por dia na cidade de São Paulo, não tem como deixar para lá. É gente demais, mesmo São Paulo sendo imensa.
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