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E o homem criou o futebol

[Crônica de 27 de maio de 2002]

Deus criou o homem e o homem inventou o futebol. Ambos achavam que estavam dando ao mundo algo feito à sua imagem e semelhança, mas que distância, pelo menos da ideia original.

Se Deus é perfeito, o homem é com certeza a experiência que deu errado, e por isso foi escondida numa galáxia no canto do Universo, num planeta pequeno, girando em volta de uma estrela sem maior importância. Só mesmo o homem para se imaginar feito à imagem e semelhança do criador, como se um ser perfeito pudesse reproduzir nas nossas imperfeições o seu poder e sua glória.

Não tem jeito, vamos continuar errando, apesar de às vezes acertarmos, como é o caso do futebol. O futebol é uma invenção do final século 19, graças a Deus inglesa, que, devagar, no começo do século 20, se espalhou pelo mundo, com mais ou menos sucesso e ou violência.

Em poucos anos o futebol estava consolidado, partindo para a sua segunda fase, que foi a criação de regras civilizadas para o esporte ser praticado, o que foi ótimo, porque diminuiu o número de acidentes sérios, colocando em risco a vida dos jogadores.

Na sequência veio uma terceira fase, começada  nos anos 50 e que se estendeu até o final dos anos 70, quando o esporte se aproximou da arte, transformando o futebol num balé deslumbrante e no mais belo dos esportes.

Mas tudo que sobe cai. E o futebol também começou a cair. Primeiro, por culpa das torcidas ditas civilizadas, e, depois, por culpa dos clubes que não souberam interromper a onda de violência, que se espalhou pelos campos e pelos estádios, quebrando e matando torcedores e jogadores de forma absolutamente democrática.

Para culminar, entraram em cena os cartolas e os árbitros, e o que já não estava tão bom piorou, deixando triste uma festa que tinha tudo para ser a consagração da alegria.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.