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O tempo está louco

[Crônica de 16 de junho de 2004]

O tempo está completamente louco. Não chove nos meses de chuva, chove quando não é para chover, faz frio na época do calor e calor na hora do frio. E a regra vale para o mundo todo. Não é exclusividade de brasileiro, mesmo com ciclone extratropical se transformando em furacão, que é coisa nova pra gente.

O pior é que depois do primeiro veio o segundo e o terceiro e não há nenhuma indicação que eles pretendam parar. Pelo jeito, vieram para ficar, para fazer parte do roteiro turístico de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, interagindo com a neve e as hortênsias, para maior glória do sul e melhor desempenho das contas do turismo nacional.

Para nós que moramos em São Paulo o estrago é menor. Só faz frio, ou chove, enquanto lá o tufão destrói, mata, desabriga. Sorte nossa? Não sei, porque o frio pega pesado e maltrata quem mora nas ruas e não tem para onde ir, exceto os abrigos públicos que não são o sonho de uma noite de inverno, nem fazem graça para ninguém.

De qualquer modo, antes estar aqui do que estar lá. Ainda que o furacão seja imponente de se ver, é melhor ver pela televisão, do que estar dentro de uma casa açoitada por ele, entre coisas voando, sem poder fazer nada, a não ser ter medo do vento e da chuva.

Mas, mesmo quem não tem furacão sente na pele o tempo mudar. São Paulo ainda não está livre do racionamento d’água, para dar um exemplo que pega pesado e pode ser muito sério.

Mas quem manda no tempo está irritado com o mundo. Em todos os cantos as coisas estão se modificando e o que valia não vale mais, entre inundações, granizo, vento, terremotos, furacões, ciclones tempestades de inverno e de verão e o mais que o tempo pode fazer.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.