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Sequestro de telefone celular

[Crônica de 10 de janeiro de 2003]

O sequestro se banalizou de tal forma que, hoje, na cidade de São Paulo, sequestra-se de tudo. Gente, objetos, sentimentos, corações, almas, tudo, absolutamente tudo é passível de ser sequestrado. A melhor prova é recente sequestro de um telefone celular pré-pago.

O telefone, como a maioria dos telefones celulares bem-educados estava dentro do carro do proprietário dele, encostado no console, a postos para ser usado, mesmo a lei dizendo que ninguém mais pode falar de telefone celular dirigindo carro.

Foi aí que o assalto aconteceu e o ladrão, além de levar o carro, levou também o telefone celular do dono do carro. Vendo o objeto, o assaltante resolveu sequestrar o telefone e pedir resgate para a família.

Telefonou para a casa dono do carro, falou com o pai que foi quem atendeu o telefone e fez a ameaça: ou lhe pagavam 100 reais pelo celular sequestrado, ou nunca mais teriam o aparelho de volta.

Se houve outras ameaças ninguém ficou sabendo, o fato é que o pai decidiu pagar o resgate para ter de volta o celular do filho e combinou com o ladrão o local da troca, na frente de um shopping center, aqui na capital.

Na hora combinada o pai estava lá, esperando o ladrão que deveria trazer o telefone sequestrado para realizarem a troca.

E o ladrão apareceu. Mas na hora da troca a polícia apareceu também e prendeu o ladrão, provando, mais uma vez que o crime não compensa.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.