Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

Números apavorantes

89 mulheres são vítimas de violência diariamente na cidade de São Paulo. É um número apavorante.

Nele estão incluídas todas as formas de violência, sexual ou não, de que são vítimas mulheres de todas as classes sociais, raça, cor e religião.

É um absurdo inominável, mas é a realidade e contra números não há como discutir ou argumentar, numa eventual tentativa de minimizar o tamanho dessa tragédia absolutamente inaceitável.

As causas que levam a este quadro são as mais variadas, mas boa parte delas tem origem na educação que durante séculos prevaleceu no Brasil, de acordo com a qual o homem é o dono da casa, vale dizer, da família, consequentemente da mulher.

A maioria não sabe, mas até a década de 1960 a mulher só podia ter conta em banco se o marido consentisse. Mais do que isso, o marido tinha o direito de movimentar o dinheiro ganho pela mulher da forma que melhor lhe conviesse.

Nessa época se consolidou a tese jurídica da “defesa da honra”, pela qual o marido podia matar a mulher e ser absolvido no processo judicial em que fosse réu por homicídio.

O mundo mudou, o Brasil mudou, mas homens sem noção seguem achando que são donos das mulheres com quem convivem, ou conviveram e que por isso podem agredi-las, se se sentirem contrariados.

Ou, o que é bastante comum, se a mulher decidir encerrar o relacionamento, o feminicídio passa a ser a solução adotada por homens que não entendem que eles não são os donos das mulheres com quem se relacionaram, e que não têm nenhum direito de exigirem que elas permaneçam com eles. Essa situação precisa mudar, mas isso é questão antes de tudo de educação e de sérios problemas psicológicos.

___

Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: Spotify, Google Podcast e outras.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.