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Misoginia e racismo

A ONU considerou o tráfico de escravizados africanos a maior violência praticada contra a humanidade. 123 países, entre eles o Brasil, votaram a favor da condenação.

Sem dúvida nenhuma a escravização de milhões de africanos é uma barbaridade inominável e, de acordo com os valores atuais, deve obrigatoriamente ser severamente condenada.

Mas, diante de toda série de barbaridades cometidas ao longo do relativamente pouco tempo do ser humano sobre a terra, não tenho condições de afirmar que é a maior violência praticada pelo ser humano contra o ser humano. Existem outras tão brutais quanto ela.

Uma com certeza é a misoginia. O ódio contra as mulheres, baseado numa hipotética superioridade do homem. As coisas que acontecem neste campo são apavorantes e vão de uma posição meramente teórica a absurdos como cortar o clitóris das mulheres, passando por toda sorte de violências físicas e psicológicas que a mente humana é capaz de imaginar.

O exemplo mais gritante é o feminicídio, o assassinato de uma mulher porque ela é uma mulher. E o Brasil está entre os campeões neste tipo de crime. É raro o dia que os jornais das TVs não mostrem, quase que ao vivo, pelo menos um caso. E eles acontecem em todas as classes sociais.

Mas o que dizer dos crimes sexuais? O estupro brutal? O abuso sexual com conotação de ato de amor, praticado por gente muito próxima, especialmente contra meninas?

A equiparação da misoginia ao racismo é um passo importante para a conscientização do problema pela sociedade. Sim, boa parte da sociedade muitas vezes não percebe a gravidade do que acontece. É fundamental que a misoginia seja entendida em todo seu horror. Aí equiparar racismo e misoginia é um passo muito importante.

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.