O ar nosso de cada dia
O pão nosso de cada dia está mais ou menos garantido, pelo menos até agora. Como o futuro ninguém sabe e tem louco de sobra mandando no planeta, o futuro, vamos deixar para lá. É melhor ficar com o garantido, ou quase, no caso, o pão nosso de cada dia.
Jesus tomou o pão, o partiu e entregou aos discípulos. Jesus não corta o pão, Jesus parte o pão com as mãos, por isso é mais belo. É mais intenso, mais humano, mais próximo.
Você e eu, nós, somos uma fraternidade. Ou deveríamos ser, o que não é a mesma coisa. De verdade, corre cada um para um lado e se der para puxar a brasa para assar minha sardinha melhor ainda.
Solidariedade é coisa de protestante. Ou era, até entre eles ela está diminuindo. Não é mais o que já foi. É o mundo descobrindo o cada um por si. Nessa toada, não tem o que fazer, as chances de dar errado são enormes.
Tudo bem, se der errado deu, quem paga a conta são os outros, então está certo. O meu ficando de fora quero que o mundo acabe em barranco para eu me encostar e ver o circo pegar fogo.
Deveria ser por aí, mas não é, tem coisas de que você não escapa. O ar nosso de cada dia é provavelmente o elemento mais democrático que existe. Todos respiramos o mesmo ar e em São Paulo ele vai mal. A qualidade deixa muito a desejar. Ou não, depende de quem avalia.
Tem quem gosta do ar poluído que deixa cinza e suja boa parte da cidade. Tem quem inclusive ajuda o ar ficar pior. É olhar o trânsito a sua volta e prestar atenção nos veículos, boa parte roda com o motor desregulado, piorando o que já está ruim com a sem cerimônia de quem não tem nada com isso, mas joga coco verde pela janela, como se a rua fosse a sala de vistas da casa dele.
___
Siga nosso podcast para receber minhas crônicas diariamente. Disponível nas principais plataformas: Spotify, Google Podcast e outras.
Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.