O colégio de São Paulo de Piratininga
[Crônica de 25 de janeiro de 2002]
As cidades são como as pessoas, nascem num lugar e depois descobrem outro melhor, e mudam. Ou mudam de nome, como Paris, que nasceu Lutécia. São Paulo fez os dois. Mudou de lugar e de nome, como centenas de cidades ao redor do mundo, mas nunca deixou de ser a vila fundada por Martim Afonso de Souza, em 1532, logo depois do Porto dos Escravos ser erguido a condição de Vila de São Vicente.
Ao contrário do que dizem, São Paulo não foi fundada em 1554, e muito menos por Anchieta, que na época não era ao menos padre, mas um simples noviço da Companhia de Jesus, sob o comando de Manoel da Nóbrega, este sim o grande arquiteto da expansão jesuítica pelos diferentes pontos do Brasil.
Quando Martim Afonso de Souza chegou na nova terra, ela já estava habitada por europeus e tinha um porto onde os portugueses se concentravam, e que servia para abastecer os navios de provisões e índios escravizados, para substituir os marinheiros mortos durante a travessia do Atlântico. Era o Porto dos Escravos, que acabou sendo escolhido, depois da frota de colonização navegar ao longo da costa, por sua posição estratégica, para ser erguido à condição de primeira vila do Brasil.
Quando Martim Afonso aportou na baia de São Vicente, João Ramalho, branco, morador do planalto do outro lado da serra, onde era casado com a filha do cacique Tibiriçá, veio ao seu encontro e o convidou a subir pelo caminho do Peabiru, e conhecer os campos que se estendiam pelo interior.
Martim Afonso foi viu e gostou. Por isso fundou uma segunda vila, chamou-a de Piratininga, escolheu moradores brancos para habitá-la e elegeu sua Câmara. Este foi o começo de São Paulo, que depois mudou de lugar e de nome, há 470 anos atrás.
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