Oscar Freire a fora
[Crônica de 15 de abril de 2002]
Teve época em que andar pela rua, na cidade de São Paulo, era comum e gostoso. As pessoas iam de um lado para o outro, em calçadas nem sempre muito bem cuidadas, mas que eram bem melhores do que a média das calçadas de hoje. E o iam de um lado para o outro podia ser uma distância grande, de alguns quilômetros, sem risco de vida, a não ser morrer atropelado, porque o motorista paulistano nunca ligou muito para o detalhe chamado pedestre.
Foi uma época mais calma, se bem que à época, todo mundo já achasse que a cidade era insuportável, o que só vem demonstrar a elasticidade dos conceitos e como insuportável pode significar várias coisas.
Não era um “futing” de cidade do interior, mas andar para cima e para baixo na Rua Augusta tinha um charme todo especial, além de servir para ações menos dignas, como roubar discos na Hi-Fi.
E o centro da cidade se movia em ondas, que desviavam dos camelôs que já existiam, como as ondas desviam das pedras. O movimento na rua Direita ou na praça do Patriarca, era de várias centenas de milhares de pessoas por dia.
Hoje ainda existem ruas muito bonitas e gostosas de se passear. Quem sabe a melhor seja a rua Oscar Freire.
A Oscar Freire é a vitrine do luxo do mundo instalada em São Paulo. As melhores lojas e as melhores marcas estão lá. E só isso já é mais do que suficiente para fazer do passeio pelas suas calçadas um prazer.
Não tem quem não goste de coisa bonita. Não gostar do belo não é humano. E, tirando algum louco, muito louco, não é possível achar as vitrines da Oscar Freire feias. O problema é que dá algum medo, se não das calçadas, dos seguranças ou do risco de um assalto.
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