A fiscal da Avenida Paulista
[Crônica de 16 de junho de 2009]
A Avenida Paulista acaba de ganhar uma nova fiscal. Não, nada de gente da prefeitura, fazendo de conta que viu o que não viu e que não viu o que viu. A nova personagem é Julie Nakayama, cadeirante de 22 anos de idade que tem como missão verificar o estado das calçadas da mais paulista das avenidas da cidade.
São Paulo não é amiga dos portadores de necessidades especiais. Não precisa ser um cadeirante para descobrir isso. Uma perna quebrada é suficiente para mostrar o drama de quem sofre algum tipo de restrição motora. Para não falar numa grávida em estado avançado que necessite entrar num ônibus de periferia.
Só sobe se alguém empurrar por trás, enquanto outro puxa pela frente. Infelizmente, esta é a realidade da maioria das cidades brasileiras. São Paulo não é a exceção, é apenas a maior e a mais rica de todas elas.
Julie Nakayama sabe o que faz porque sente na pele, diariamente, o que é a discriminação decorrente de sua restrição. Sabe o que é não ter rampas de acesso ou banheiros adaptados.
Por conta disso, tem tudo para ser a melhor de todas as fiscais que a Avenida Paulista poderia ter para manter a qualidade de suas calçadas, recentemente reformadas, levando em conta os portadores de necessidades especiais.
Assessora parlamentar da vereadora Mara Gabrilli, a incansável campeã da causa da humanização da cidade e do respeito aos portadores de deficiências, Julie pode, não só se sair muito bem da nova missão, como, também, se transformar em exemplo, e engajar muito mais gente, deficientes ou não, na luta por uma São Paulo mais amiga.
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