Uma estatística otimista
[Crônica de 15 de julho de 2005]
A razão de ser das crônicas da cidade, lá atrás, quando eu comecei, em 1992, era mostrar o lado bom da cidade de São Paulo e que nem tudo, por aqui, é sempre ruim ou desanimador.
Até hoje eu tento ficar nesse viés, mas é difícil, não por má vontade minha, mas porque a cidade, invariavelmente, dá de desandar, e bate mais um recorde ruim, ou negativo, ou se aproxima de outro quadro que não é exemplo pra ninguém.
Por isso a crônica de hoje é muito importante. Ela não é só a chance de voltar para a trilha original, mas, principalmente, de voltar animado, otimista com o quadro, mesmo sabendo que ainda tem muito que ser feito, para vagamente chegarmos perto do que acontece nas outras grandes cidades do mundo.
São Paulo tem um dos maiores índices de assassinatos do planeta. Perde para poucas cidades, entre elas, lamentavelmente, o Rio de Janeiro. Nem se diga que Washington também tem um índice indecente, que fica pior ainda se pensarmos que é a capital dos Estados Unidos, a nação mais rica e poderosa da atualidade.
São Paulo é quase campeã e isso me entristece, como entristece qualquer pessoa com alguma sensibilidade que more por aqui. Milhares de pessoas são mortas todos os anos. Isso não tem desculpa. É culpa de todos e de ninguém, mas é algo que precisa ser combatido. E nos últimos tempos temos tido sucesso.
De 1999 para 2004 a redução no número de assassinatos foi de mais de 40%. Naquele ano foram mortas 6600 pessoas, contra 3944 no ano passado. E essa história de sucesso, que deve continuar, é resultado da soma do governo do estado com a população, por uma vida melhor.
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