5 anos de cara nova
[Crônica de 1 de julho de 1999]
Há exatos cinco anos o Brasil começava, depois de uma série de tentativas malsucedidas, a mudar definitivamente de cara. Sem alarde, sem mentir, sem chamar muito a atenção, sem qualquer pampeiro maior, de repente, as regras se tornaram claras e o país fez que entrava na linha, como se só estivesse esperando o empurrão que o ministro da fazenda à época lhe deu.
O sucesso da ação foi tão grande que deu ao então ministro, em duas eleições seguidas e indiscutíveis, a presidência da república. E como presidente ele vai se saindo muito melhor do que a encomenda – principalmente se comparado com seus antecessores.
É gozado, mas a queda da inflação aconteceu de maneira tão natural que nem parece que há cinco anos ela estava na casa dos 70% ao mês e se encaminhando rapidamente para os 100%.
Como se não bastasse a redescoberta do valor da moeda, que veio amarrada ao sucesso do real, ao longo desse tempo, mudou a cara da nação.
Só o programa de privatizações já seria suficiente para tirar da cartola um Brasil novo, de alma nova e com outra vontade, muito mais dinâmica e aguerrida, capaz de fazê-lo inclusive, no começo desse ano, vencer uma crise que todo o mundo esperava negra e que vai sendo apenas cinza.
Mas o país foi muito mais longe. As CPI’s, que se sucedem umas mais outras menos desastradas, não são mais do que outro reflexo dos efeitos benéficos do plano real.
De país acostumado com desmandos de todos os tipos sendo coisa normal em seu dia a dia, vamos resgatando antigos valores que sempre fizeram parte da nossa cultura, e nos transformando numa terra ética, que quer ser ética não porque é bonito, mas porque é o certo e o melhor para todos.
Ainda tem muito que ser feito, nos mais diversos campos. Há cinco anos a nação estava em frangalhos, em todos os setores. Alguns já foram resgatados, outros estão sendo e outros ainda o serão.
O importante é que os primeiros passos foram dados e depois deles nós continuamos andando para a frente.
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