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Tem boa notícia?

[Crônica de 9 de junho de 2004]

Será que tem jeito de ter notícia boa nos jornais ou na televisão? Será que o mundo inteiro afundou na mais completa loucura e o resultado é uma torrente interminável de tragédias, coisas dando errado, má fé e mais um mundo de ondas negativas de todos os tipos?

Parece que não. Como o que vende é o feio e ruim, vamos enchendo a vida de coisas feias e ruins, para ver se vende mais. É humano, mas parece desumano. Só que não é. Faz parte da nossa índole gostar de tragédia, da desgraça alheia, da dor e do sofrimento.

É prestar atenção em quem brilha nas novelas. O bandido, que no final acaba dando errado, durante a trama quase que inteira é quem dá as cartas, quem manda no jogo, hipnotizando a audiência com maldades uma pior que a outra.

É por isso que o mundo vira de ponta cabeça quando uma minissérie como “Um Só Coração” não tem grandes bandidos, mas apenas personagens humanos, uns melhores do que os outros, mas todos dentro de um padrão onde a maldade e o preconceito existem, mas estão longe de ser o normal, ou anormal.

É bonito ver a vida como a vida é. Com o lado bom das pessoas sendo maior e mais comum que a canalhice, que a falta de caráter.

O ser humano é complexo. Todos nós somos complexos e temos lados bons e lados não tão bons.  O importante é não deixar o lado não tão bom ganhar. Lutar para mantê-lo sob controle, com o lado bom se destacando, ainda que no dia a dia a tragédia nos atraia, como os desastres de trânsito, onde a outra pista também para, com os curiosos querendo ver sangue e dor. Importante é acreditar que dá e lutar por isso.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.