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As canetas não são mais o que já foram

Teve época que o ser humano escrevia com um cinzel na pedra. Depois, se sofisticou e passou a usar táboas de barro, e caminhou para o papiro e finalmente o papel. Mas quem acha que acabou está profundamente enganado.

A coisa está mudando de forma, hoje não se escreve mais, se grava mensagem no celular, é por aí que o mundo avança. Tem o que fazer? Difícil mudar o ritmo da vida e nesse momento o ritmo é esse, então é entregar a alma Deus e tocar em frente, com o celular ligado.

Ninguém mais escreve cartas, e poucos se lembram do que eram os telegramas. Ruim para a memória dos povos. A história se perde nas mensagens deletadas. Antes, as cartas e telegramas arquivados contavam histórias de pessoas e a soma dessas histórias fazia a história maior que é a histórias das civilizações. Hoje, isso está acabando.

Como além de não escrever cartas, as pessoas não leem mais, a cada dia que passa some um pedaço da memória coletiva, composta pelas memórias individuais.

Teve um tempo em que as penas de aves exóticas eram o grande diferencial. Depois criaram as penas metálicas que melhoraram muito a qualidade da escrita. E surgiram as primeiras canetas tinteiro e na sequência as esferográficas, que custam barato e democratizaram a escrita.

É capaz de muitos jovens não terem noção do que é uma caneta tinteiro. Aliás, visitando o Museu de São José do Rio Pardo, descobri que telefones de manivela e disco, máquinas fotográficas de filme, filmadoras super 8, máquinas de escrever, fax, telex e outras modernidades de ontem, hoje, são objetos misteriosos, que muita gente não tem ideia para o que serviam. O progresso é terrível, e o que vem pela frente, com a inteligência artificial, mais terrível ainda. Quem viver, verá.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.