Barulho de deixar surdo louco
Ninguém discute, o trânsito é um inferno. Também, ninguém discute, a violência é o segundo círculo do inferno. Os buracos seguem sua sina de quebrar suspensões. A SABESP tem problemas semana sim, outra também. A ENEL ninguém sabe o que vai ser, ainda não chegou sua hora de entrar em cena. A CET segue impávida na sua missão de piorar o que é muito ruim e assim manter o troféu de pior empresa pública do mundo. E a cidade vai em frente, com todos os problemas de uma cidade grande, uma área maior do que poderia ser e por isso ingovernável.
Meu amigo Nalini concorda com muito do que eu escrevi acima, mas coloca um outro ponto como o mais grave e é justamente o que ninguém está levando a sério. Segundo ele em pouco tempo os paulistanos ficarão sem água para beber. A lógica é lógica, estão destruindo a represa de Guarapiranga, o único manancial localizado dentro da área metropolitana.
Diariamente são lançadas quantidade absurdas de esgoto sem tratamento nas águas da represa.
O resultado é que um exame de sua qualidade vai mostrar que ela tem de cocaína a pílula anticoncepcional, passando por toda sorte de produtos que nos fazem mal. O tratamento resulta num líquido esbranquiçado, com cheiro e gosto, algo completamente diferente do que aprendemos na escola, onde a água é incolor, insípida e inodora.
Mas tem mais um capítulo que nem sempre é lembrado. O barulho ou os barulhos que ensurdecem quem mora na região metropolitana. Tem barulho para todo gosto, de tiro e estouro de escapamento a bate estaca; de motocicleta com o escapamento aberto a avião se aproximando o aeroporto; de vendedor de pamonha a hino de igreja, vale tudo, acontece de tudo, mas pouca coisa é feita para mudar o quadro.
Ah, o grito da sirene passando lá fora…